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De que uma empresa precisa para ser uma startup?

Dúvida do leitor: Quais tipos de modelos de negócio qualificam uma empresa como startup?
Respondido por Milena Dalacorte, especialista em empreendedorismo.

A verdade é que não há negócios bons ou ruins, mas aqueles com potencial de crescimento acelerado ou limitado. As startups são organizações que nascem pequenas, mas são projetadas desde o seu nascimento para crescerem rapidamente e se tornarem grandes.
Como descreve o guru do empreendedorismo Steve Blank, conquistar este crescimento potencialmente ilimitado não é tarefa fácil: uma vez identificada uma necessidade real de um grande mercado, há a busca incessante por um modelo de negócio lucrativo e escalável.
O modelo de negócio nada mais é do que a forma como uma empresa gera e captura valor, ou seja, o que ela faz e como ganha dinheiro com isso. Quando o problema é grande e várias organizações tentam resolvê-lo, o modelo de negócio pode ser a única diferença entre o que você faz e os seus concorrentes estão fazendo.
Ele é capaz de levar seu projeto às alturas ou fazê-lo andar de lado por anos e declinar em meses. Como Chris Zook esclarece no seu livro O Poder dos Modelos Replicáveis, os modelos de negócios são melhores indicadores do desempenho financeiro de uma organização do que a classificação da indústria. Isso fica claro, por exemplo, quando olhamos a Netflix despontar frente às tradicionais locadoras de filmes ou o Whatsapp roubar mercado das gigantes da telecom.
Mas afinal, o que esses modelos de negócios têm em comum? Vejamos:

Escalabilidade

Ser escalável é a chave de uma startup: significa crescer em receita, sem que os custos aumentem na mesma proporção. Negócios escaláveis tendem a sustentar processos mais automatizados, com menos customizações e sendo menos intensivos em pessoas.

A Contabilizei, startup paranaense, encontrou uma maneira automatizada para gerir muitos dos processos contábeis de pequenas e médias empresas, evitando toda a estrutura de capital e de pessoas dos tradicionais escritórios de contabilidade. O efeito de escala permite gerar margens cada vez maiores, acumulando lucros e gerando mais riqueza.


Replicabilidade

Entender quais são os elementos críticos do sucesso, aqueles que fazem a sua empresa única e vencedora no mercado, é fundamental para um crescimento sustentável. Para a Ambev, por exemplo, é a distribuição, já para a Apple é o design.

Uma startup precisa ter clareza do seu negócio central e das poucas coisas que é necessário fazer para manter o diferencial. Como diz Hernan Kazah, fundador do Mercado Livre e empreendedor apoiado pela Endeavor, melhor fazer poucas coisas nota 10 do que várias nota 6. Só assim é possível replicar essas capacidades para se adaptar às mudanças ou para aproveitar as novas ondas de expansão, mantendo o modelo simples, leve e focado.

Adaptabilidade

Bons modelos de negócio permitem constantes adaptações. Por viverem sob condições de extrema incerteza, é fundamental que as startups não se atenham a um plano rígido, mas a um modelo dinâmico e flexível, que permita testes e adaptações rápidas e baratas.

A Chip Inside, startup de coleiras de predição de saúde animal, começou vendendo o produto para os produtores de gado. Identificando que a compra representava um alto investimento para o cliente e consequentemente a diminuição do número de unidades adquiridas, os empreendedores Thiago e Leonardo adaptaram o negócio para um modelo de locação e prestação de serviços. O resultado foi aumento na receita, na recorrência e na satisfação do cliente.

O modelo de negócio não precisa e nem deve ser disruptivo. O livro Business Model Generation, de Alexander Osterwalder, pode ser uma boa fonte de inspiração, pois reúne uma série de modelos padrões e já comprovados, que vão desde marketplaces digitais, modelos gratuitos até franquias. O importante é usar estes modelos como parte da solução e alavanca para o crescimento.

A trajetória para transformar sua startup em uma empresa de alto crescimento não é fácil, mas não desanime: o desafio é tão grande quanto o impacto que ela pode causar. Acreditamos que com mais empreendedores que sonham grande e que botam pra fazer teremos também um país com mais oportunidades. Boa sorte e Vai que dá!

Milena Delacorte é coordenadora de apoio a empreendedorismo da Endeavor RS.

Fonte: http://exame.abril.com.br/pme/noticias/o-que-uma-empresa-precisa-para-ser-uma-startup

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